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QUEM SÃO OS KRAHÔS E COMO SÃO AS VIVÊNCIAS TRIBAIS

A etnia Krahô compõe-se atualmente de 28 aldeias, localizadas no estado do Tocantins. Os cenários da terra Krahô são belíssimos, com seu cerrado recortado por centenas de nascentes, veredas e buritizais.  Todas as aldeias são servidas atualmente de estradas pavimentadas por revestimento primário (cascalho), dando acesso a veículos de passeio.

Culturalmente, os Krahôs são considerados como um dos povos mais resistentes do Brasil. Tiveram seus primeiros contatos com as frentes colonizadoras oriundas do litoral nordestino, em meados do século XVIII, no estado do Maranhão. Pressionados, vieram habitar o atual estado do Tocantins.  Em 1940, sofreram um massacre pelos criadores de gado, que teve grande repercussão nacional.  O governo mandou então demarcar ao atual território, ato que se consolidou em 1951.

Nas últimas décadas, os Krahôs ficaram famosos pelos movimentos que realizaram, em busca de elementos de sua ancestralidade. Em 1987, em um verdadeiro feito guerreiro, recuperaram a “Kyiré”, a machadinha sagrada da tribo, levada por um pesquisador para o Museu Paulista, em 1949.  No inicio da década de 1990, iniciaram processo de recuperação das sementes tradicionais de agricultura, movimento que se espalhou depois para praticamente todos os povos indígenas do Brasil e se transformou em políticas públicas de vários órgãos governamentais, além de ter sido a referencia para a construção do Plano Nacional de Produção Orgânica (PLANAPO).  Por este projeto, os Krahôs, juntamente com o indigenista Fernando Schiavini, ganharam vários prêmios, nacionais e internacionais, sendo os principais deles o “Ação Pública e Cidadania” da Fundação Getulio Vargas (1998);  Slow-Food da Biodiversidade (Itália-2004) e “Guardiões da Agrobiodiverdade” – pelo SIRGEALC – Simpósio de Recursos Genéticos para a América Latina e Caribe.  Ficaram famosas e também se disseminaram para outros povos indígenas, as  “Feiras Krahô de Sementes Tradicionais”, encontros de etnias de todo o Brasil, realizados trienalmente  na terra Krahô,  abertos também a visitantes não-indígenas, destinadas à troca de sementes tradicionais indígenas.

Os Krahôs continuam mantendo seus costumes e tradições, baseados em complexo e organizado sistema tribal, alicerçado, por sua vez, em uma complexa rede de parentescos e um  rico calendário ritualístico,  que celebra os ciclos da vida e da natureza.  Os antropólogos chegaram a catalogar cerca de 200 brincadeiras, festas e rituais realizados pelos Krahôs.  Continuam preservando inúmeras dessas festas.  Dotadas de grande beleza plástica, elas são recheadas por corridas de toras – o esporte-religião da etnia, comidas tradicionais, como o beiju e o “paparuto”, um enorme bolo comunal de mandioca e carne. As cantorias varam a noite, ao redor da fogueira.

Para a subsistência, as famílias continuam a plantar suas roças na floresta, com as sementes, técnicas e conhecimentos ancestrais. Os Krahôs talvez sejam, na atualidade, o único povo indígena do Brasil que conseguiram retornar à independência de sementes e insumos externos, para plantarem suas lavouras, há cerca de 10 anos. Nas roças, o que predomina é a mandioca.  Plantam também milho, feijões, favas, inhames, carás, gergelim, cana, banana, mamão.  Pelo projeto “Enriquecimento de Quintais”, iniciado no ano de 2000, executado em pareceria com a EMBRAPA, foram plantadas cerca de 20.000 árvores frutíferas exóticas nos quintais das aldeias, que já produzem frutos. Assim, praticamente todas as aldeias Krahô estão cercadas de verdadeiras florestas de mangueiras, abacateiros, jaqueiras, cajueiros, coqueiros, formando sombras aprazíveis, onde se pode passar agradavelmente o dia. As fontes para banho são inúmeras, de águas cristalinas, em todos os cantos da terra Krahô.

Os Krahôs estão acostumados a receber pessoas de fora, seja individual ou coletivamente.  São abertos, receptivos e hospitaleiros, fazendo o visitante se sentir à vontade, em pouco espaço de tempo. Tem o costume de “batizar” os estrangeiros, caso seja consentido, dando-lhes ritualmente um nome, repassado por alguém da aldeia. A partir daí, ele se torna “Pahi”, uma espécie de chefe honorário, que deve defender a tribo em casos de perigo. Herda toda a rede de parentesco do seu nominador e pode retornar à aldeia em qualquer tempo e condições, que será acolhido pelos seus “parentes”.  O nome também é um salvo conduto em todas as outras aldeias Krahô, onde, invariavelmente, se achará algum parentesco.

AS VIVENCIAS TRIBAIS

As vivencias tribais que serão conduzidas pelo indigenista Fernando Schiavini, vão além de um passeio em aldeias indígenas. Os participantes serão preparados antes de adentrar nas aldeias, onde   terão a oportunidade de vivenciar, de fato, o cotidiano de uma autêntica aldeia Krahô.  Poderão, opcionalmente, ficar hospedados nas casas das famílias, ou em uma casa separada com alojamento. Dentre as atividades podem participar das reuniões e festividades no pátio central, visitar roçados, fazer caminhadas, pintar-se, alimentar-se de comidas tradicionais.  Poderão assim, de maneira vivencial e  informada, entender os complexos mecanismos de solidariedade grupal, desenvolvidos pelos sistemas tribais, em milênios de existência e resistência.

 

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